“Extinção
de carnívoros “top” e comportamento animal inter-específico:
implicações do rápido desacoplamento de uma teia envolvendo
lobos, ursos, alces e corvos”
Autor: Joel Berger
Revista: Proceedings of the Royal Society - Biological Sciences, Series B 1999,
266(1435), 2260-2267
Idioma original: inglês
Título original: Anthropogenic extinction of top carnivores and interspecific
animal behaviour: Implications of the rapid decoupling of a web involving wolves,
bears, moose and ravens.
Resumo -
A extinção recente de ursos “grizzly” (Ursus arctos)
e lobos (Canis lupus) por humanos de 95-99% dos estados contíguos
dos EUA e México em menos de cem anos produziu comunidades de presa dramaticamente
alteradas e expandidas. Tais alterações ecológicas, florescentes
e presumivelmente instáveis, não ocorreram nas zonas boreais da
América do Norte. Essa variação geográfica na perda
de carnívoros de grande porte como conseqüência de perturbações
antropogênicas oferece-nos oportunidades para examinar as conseqüências
potenciais da extinção de padrões ecológicos sutis
mas importantes, envolvendo o comportamento dos animais e suas interações
ecológicas inter-específicas.
No Alasca, onde animais que se alimentam de carniça e carnívoros
de grande porte estão associados com carcaças (ou seja, para um
herbívoro, carcaça na área = presença de pássaros
“carniceiros” como o corvo = presença de predadores), experimentos
de campo envolvendo simulações sonoras mostraram que ao menos
uma das típicas presas dos carnívoros, o alce, é sensível
às vocalizações dos corvos.
Entretanto, uma relação como essa não existe em áreas
livres de predadores (algumas ilhas e áreas do Alasca onde ursos e lobos
estão extintos há 50-70 anos).
Embora estudos anteriores de pássaros e mamíferos tenham mostrado
que as presas possam reter a capacidade de reconhecer predadores por milhares
de anos, mesmo depois que a força seletiva dos predadores tenha diminuído
(por um processo de extinção, por exemplo), os resultados apresentados
aqui mostram que uma “dessensibilização” como essa
pode também ocorrer em menos que dez gerações.
Estes resultados mostram que:
1) há um rápido desacoplamento no comportamento envolvendo presas
e animais carniceiros como conseqüência dos desequilíbrios
predador-presa causados pelo homem, e
2) há mudanças sutis, no nível de comunidade, nos ecossistemas
terrestres onde os carnívoros de grande porte já não existem.
Se esperamos aumentar o conhecimento sobre processos comportamentais e ecológicos
nos sistemas que ainda existem, os efeitos potenciais da extinção
recente de carnívoros devem ser incorporados nos programas atuais.