Da “Pequena História de São Francisco”, autor desconhecido
Francisco
não lidava apenas com animais pacíficos. Um dia, em seu caminho
à cidade de Gubbio, ele encontrou um grupo de moradores armados com tacos
de madeira e porretes. “Aonde vocês vão com esses tacos?”,
ele perguntou.
“Há um lobo feroz que ronda nossa cidade”, eles disseram. “Ele atacou nossos animais e até as nossas crianças. Nós vamos caçá-lo!”.
Francisco foi com o povo. Assim que eles se aproximaram do lobo, Francisco disse-lhes: “Deixem-me falar com ele.” Ele aproximou-se do lobo e estendeu sua mão. Os outros se afastaram, sabendo que Francisco seria devorado. Mas o lobo deteve-se e inclinou a cabeça. Francisco afagou-a suavemente, dizendo: “Vem, Irmão Lobo. O povo da cidade me disse muitas coisas sobre você. Eu entendo que o povo de Gubbio o detesta. Mas eu sei que você tem fome, e é isso que o leva a fazer coisas tão terríveis. Se você concordar em ser pacífico, eu prometo que você será alimentado pelo resto dos seus dias. Você promete não atacar nunca mais os animais ou pessoas?”
Para dar o seu consentimento, o lobo deitou sua pata na mão de Francisco. O santo então levou o animal à praça da cidade e dirigiu-se aos moradores: “Meu Irmão Lobo promete nunca mais atacar nada nem ninguém novamente, se vocês concordarem em alimentá-lo”. Os habitantes de Gubbio, fascinados pelo que acabavam de ver, prometeram cumprir a sua parte. Daquele tempo em diante, o lobo agiu como um pacato cachorro.