Pode parecer um hobby estranho, ainda mais quando se vive num lugar onde eles não existem. O fato é que eu tenho tido bastante divertimento instrutivo e interessante nos últimos tempos estudando a biologia e o comportamento dos lobos (Canis lupus).

Talvez os que sejam entusiastas da cinofilia entendam isso melhor. Os lobos, além de serem animais muito belos, possuem um senso de hierarquia altamente desenvolvido, que lhes permite viver em sociedade organizada e cooperativa sem necessidade de se recorrer a combates mortais pela liderança.

Vários filhotes disputarão entre si para ver quem consegue subjugar quem, sob a supervisão dos pais. O resultado dessas lutas precoces ajudará a estabelecer a hierarquia básica que a alcatéia terá no futuro, uma sociedade de animais onde alguns comandam e outros manifestam submissão. O indivíduo subjugado demonstrará essa subordinação ao líder através de expressões corporais como caudas e orelhas baixas, desvio do olhar e exposição do ventre (o animal de ranking inferior deita-se de costas diante do superior e permite-lhe cheirar o ventre — uma região bastante vulnerável!). A hierarquia não é "rígida". Em algumas funções, um outro lobo distinto do "líder" pode tomar as iniciativas. E também ocorre que algumas vezes os líderes são trocados. Sei que isso de "dominantes e dominados" pode parecer "estranho" a ouvidos humanos acostumados às instituições democráticas, mas a natureza não é democrática... e eu particularmente acho perigoso tirar lições morais da natureza. De qualquer forma, também é certo que o dominante não exerce sua liderança como um tirano humano (prazer de poder pelo prazer). Ambos — dominantes e dominados — "sabem" que a manutenção da hierarquia na alcatéia é uma questão essencial de sobrevivência. Um lobo, individualmente, não é páreo para um tigre, urso, ou mesmo para várias das suas presas habituais, como os búfalos e os caribús. Daí que, como dizia Rudyard Kipling no seu Livro da Selva, "a força da alcatéia é o lobo, e a força do lobo é a alcatéia". Um lobo solitário tem muitas chances de perecer; sua força reside precisamente no trabalho em conjunto. Como os homens, os lobos são criaturas essencialmente sociais.

Uma alcatéia normalmente é uma "família expandida" e consta de um número muito flexível de indivíduos (tipicamente 8, mas pode oscilar bastante), liderados pelo casal alfa: a fêmea-alfa, a líder de todas as fêmeas, e o macho-alfa, líder de todos os machos e o responsável usual pelo "cronograma" do grupo: horário de acordar ou de repousar, momento de caçar, etc. Não há ingerência mútua nessa hierarquia bilateral; os machos resolvem seus problemas entre eles e as fêmeas entre elas. Inclusive poder ser "cavalheirescos": uma fêmea pode importunar o macho, mas este raramente atacará uma fêmea...

Normalmente (nem sempre) é o casal alfa que se reproduz, daí que no fim das contas uma alcatéia será composta de muitos parentes. O cuidado com os filhotes é uma responsabilidade de todo o grupo.

Até determinada idade, os filhotes possuem uma incrível facilidade de estabelecerem ligações emotivas com os outros membros da alcatéia. A partir da sua "adolescência", essa capacidade diminuirá acentuadamente, e não aceitarão indivíduos estranhos no seu meio.

Essa capacidade que os lobos têm de estabelecer ligações emotivas talvez seja o diferencial que fez dos seus descendentes, os cães, os melhores amigos do homem. O cão — e o lobo, conforme atestam os que já criaram lobos (não é o meu caso, mas pode acreditar que existem!) — reconhecem o homem como seu "alfa", e instintivamente o seguirão.

São animais incrivelmente tímidos, a dar crédito a tudo o que eu já li e ouvi comentar em listas de debate. Parece que dá para contar nos dedos de uma mão os casos de ataque a seres humanos em toda a história dos Estados Unidos. Um biólogo (L. D. Mech) que os estudava no seu habitat natural dizia que era incrivelmente difícil de se aproximar de uma alcatéia: sempre que farejavam um homem, fugiam. Porém, há outros países como a Índia onde já se registraram vários casos de ataques a humanos, fatais inclusive.

Infelizmente para alguns de nós, não existem lobos verdadeiros aqui na América do Sul. Nosso lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), ao contrário do que o nome sugere, não é um lobo, mas sim um parente meio distante, mais aparentado com as raposas, que não vive em grupos (talvez porque não existam presas de grande porte que necessitem de uma caçada organizada) e alimenta-se principalmente de frutas (lobeira) e pequenos animais. Há indícios de que o Canis dirus, um canídeo pré-histórico, tenha alcançado nosso continente. Por sinal, outro dos meus interesses é a paleontologia de canídeos sul-americanos, embora até agora eu tenha muito pouco material brasileiro a respeito.

Se você também admira esses animais e sempre teve vergonha de admitir, saiba que você não está só :-)

Agora, por favor mande-me um mail para que EU também saiba que não estou sozinho nessa!! :-)

Meu e-mail é infolobo @ infolobo . org

Procura imagens de lobos?

[NOVO!] Quer sugestões de livros sobre lobos? Clique aqui.

Leia mais!! (material da minha própria lavra, e traduções)

Área 1: Biologia dos lobos

Área 2: Evolução dos lobos (paleontologia)

Área 3: Os lobos na cultura (folclore e mitologia)

Área 4: Lobos e Santos

Área 5: Populações de lobos pelo mundo afora

Área 6: Outros canídeos

Depósito de artigos científicos sobre lobos

Meus links preferidos!

Arte e Literatura:

Freefall, (C) de Mark Stanley, em PT-BRLivro eletrônico gratuito, de autoria do administrador deste site.

Fansite de Rahne Sinclair (Wolfsbane/Lupina) (C) MarvelPoesia, também do autor do site.

Nanogaleria Ångström (Censura livre)

Contato comigo:

Breno

infolobo @ infolobo . org

Mais informações

Criada em: 10/06/1998 - Última atualização: 27/07/07

Você imprimiu, salvou ou pirateou esta página de: http://www.infolobo.org

Powered by Wolfstar!